terça-feira, 12 de maio de 2009

Era uma vez... arte conta histórias do mundo (Exposição)



Uma exposição que está em cartaz em São Paulo e vale a pena visitar é "Era uma vez... arte conta histórias do mundo" com curadoria de Katia Canton e que relaciona a literatura de contos de fadas de várias partes do mundo com a arte.

É uma mostra de muito bom gosto em um espaço muito agradável - o Centro Cultural Banco do Brasil, um belo prédio antigo no coração da cidade.

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
uma vista do saguão

Como a mostra está distribuída nos vários andares do prédio, resolvi começar a visita pelo subsolo e foi uma das partes de que mais gostei. Lá as obras de arte foram organizadas de acordo com os países a que se referem as histórias de fadas ou contos populares. O gostoso foi poder ouvir narrações nos fones de ouvido, escutar as estórias, e então olhar, observar de pertinho as imagens (em várias técnicas - aquarelas, colagens, esculturas etc.), buscar a relação da história ouvida com a imagem...

Foi fascinante também descobrir como os contos de fadas têm ligação entre si e, dependendo do país, da época, são contados com variações, como acontece com a Cinderela (como geralmente conhecemos), que tem, entre outras, uma versão russa chamada O sapato de ouro.

No segundo e terceiro andares, a mostra destaca os contos do francês Perrault, dos irmãos Grimm (alemães) e do dinamarquês Andersen. As salas onde estão as obras têm decoração ligada a algum fato ligado à época/país de cada autor e nelas também ouvimos um pouco sobre os contos em som ambiente. Interessante perceber como a época, o local, as condições socioculturais influenciam na forma como as histórias são contadas. Gostoso também observar como os artistas elaboram suas obras tendo os contos como inspiração.

Uma mostra para curtir, ver com calma, ouvir sem pressa, apreciar cada sensação, cada lembrança dos contos de fadas, além de aprender, ficar sabendo de outros contos e pronto! ter a curiosidade aguçada para conhecer mais (foi o que aconteceu comigo com o conto Pele de Asno, do Andersen). Ir com crianças deve ser uma delícia também - em alguns dias há atividade de contação de histórias (ver programação no site do Centro Cultural Banco do Brasil).

Para saber um pouco mais sobre a mostra, há um vídeo no site da Folha, e mais informações no site do Centro Cultural.

A exposição fica em cartaz até o dia 21 de junho de 2009.

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
um olhar para cima

sábado, 2 de maio de 2009

Aquarela (Estudos - 1)

Aquarela sobre papel Fabriano grana grossa

Esta pintura foi feita com base no exercício proposto no livro The art of perspective - the ultimate guide for artists in every medium do Phil Metzger (p. 18-19). O objetivo era entender a perspectiva atmosférica, aquela cujo efeito obtemos atentando para o uso das cores - é impressionante como tons escuros trazem mesmo os elementos para a frente.

Como a foto acima ficou um pouco desfocada, abaixo é possível ver o trabalho escaneado (mostra a rugosidade do papel). No entanto, nesta mexi um pouco no brilho e no contraste usando programas de computador (as cores da foto acima estão mais próximas da pintura original).

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mais estrelas (Stars - Origami - 2)


As estrelinhas de origami são mesmo uma febre - é só aprender, começar a dobrar e pronto! Depois de dobrar muitas de tamanho pequeno, resolvi experimentar fazê-las com papel maior, agora com tiras de 1,8cm X 49cm.

Utilizei papéis Jong-ie-nara com brilho adquiridos na Gana Presentes (o vidro da foto acima também é de lá). Nesse vidro da foto, intercalei algumas estrelas menores para preencher os vazios.



Os procedimentos para dobrar são os mesmos descritos antes no post Estrelinhas. E, para vocês verem como já se tornou viciante, dêem uma olhada na foto dos vidrinhos que ainda estão comigo (alguns outros já foram presenteados - o pessoal parece ter gostado bastante!):


terça-feira, 28 de abril de 2009

Vidas Secas - mostra de originais no Instituto de Estudos Brasileiros


O IEB - Instituto de Estudos Brasileiros fica numa ruazinha meio escondida, toda arborizada, no campus da Universidade de São Paulo (Cidade Universitária) e, no momento, está com uma exposição bastante interessante intitulada O círculo e as linhas tortas: Vidas Secas de Graciliano Ramos.

A mostra está bem organizada em uma sala bastante agradável, mas não se trata daquelas exposições que, às vezes, pecam pela quantidade de coisas a ver e para as quais mal temos tempo de dar a devida atenção. Esta exposição prima pela qualidade, não pela quantidade: conta com uma breve biografia em uma das paredes, com fotos do autor em outras, algumas ilustrações de Aldemir Martins para a obra, e com o que mais chama a atenção - originais de Vidas Secas.

Os manuscritos de 1937 encontram-se em caixas de vidro que permitem a aproximação e a observação demorada de cada página. Diferente de outros autores, a escrita de Graciliano é bastante legível e, observando os originais, podemos acompanhar algumas das escolhas feitas pelo autor, verificar palavras que foram substituídas, notar que trechos inteiros foram excluídos.

Vidas Secas possui a qualidade de conjugar forma e conteúdo de maneira primorosa - tão árida quanto a sua temática, é enxuto o seu texto. Verificando os originais, podemos vislumbrar um pouco do processo de escrita desse autor que, como ele mesmo aponta em Auto-retrato: "[...] Refaz seus romances várias vezes. [...]"

Para quem, como eu, é apaixonada(o) por literatura, vale uma visita à exposição!

A mostra fica no IEB até o dia 30 de junho de 2009.
Para mais informações sobre localização e horários, o site do Instituto é http://www.ieb.usp.br/
E mais sobre Graciliano Ramos em seu site oficial: http://www.graciliano.com.br/

domingo, 19 de abril de 2009

Galinha que bota ovo (Super Hen - Origami)



Origami também é para brincar, certo? Fiquei bastante contente quando o pessoal do grupo Origami Kawakami comentou sobre essa simpática galinha que bota ovos. Lembrei da época dos barquinhos de papel que colocávamos numa bacia de água (aquelas antigas de alumínio) e ficávamos brincando durante horas. E os aviões e os balõezinhos - como era gostoso dobrá-los também!

Essa galinha poedeira, cujo diagrama de autoria da Susana Kricskovics (Hungria) pode ser acessado pelo blog La Trenza, é de fácil execução e pode ser ensinada tranquilamente para as crianças. O texto que acompanha a galinha dobrada pela Leyla Torres é também bastante interessante, vale uma leitura.

Depois de feita a dobra principal da galinha, cortamos a parte de baixo que já fica com o tamanho certo para o ovinho. Aí é só encaixá-lo na bolsa lateral que se forma, e puxar um pouquinho as laterais da galinha para vê-la botar o ovinho:


Engenhosamente idealizado, esse origami permite que a mesma parte cortada, que serve para fazer o ovinho e tem o formato inicial da dobra da galinha, seja utilizada para dobrar uma galinha menor. E então um fenômeno curioso pode acontecer - ao invés de a galinha botar um ovo, ela pode estar escondendo um filhotinho embaixo dela!



segunda-feira, 23 de março de 2009

Os irmãos coração-de-leão - Astrid Lindgren (2 - o livro)



Os Irmãos Coração-de-Leão conta as aventuras do valente Jonas e do frágil Carlinhos. Tudo começa com o pequenino Carlos, adoentado, em sua casinha modesta, onde vive com a mãe, falando com muita admiração do seu irmão mais velho Jonas. Mas esse é um livro cheio de surpresas...
"Vou falar agora sobre o meu irmão. É sobre Jonas Coração-de-Leão, o meu irmão, que quero falar. Acho que o que tenho a contar se parece muito com uma saga e um pouquinho com uma história de almas do outro mundo. No entanto, é a pura verdade, embora Jonas e eu sejamos provavelmente as únicas pessoas do mundo a saber disso." (p. 7)
Pois bem... e a poucas páginas do início, já temos um baque grande... o que terá acontecido a Jonas? Mas é um susto passageiro, porque as aventuras dos irmãos correm além do tempo e do espaço, e vão realmente começar quando eles se reencontrarem em Nangaiala, uma terra com toques medievais onde se pode viver grandes sagas, grandes aventuras.

A delícia do livro está em acompanhar o nosso frágil Carlinhos, em suas duras experiências, que servirão para mostrar-lhe as armadilhas escondidas na falsidade das aparências e dos preconceitos e, ao mesmo tempo, que o farão descobrir o caminho da coragem, da amizade e da ternura. É um caminho árduo, duro, em uma terra que está sendo tiranizada pelo vilão Tengil e pela sombra de Katla. Mais um trechinho instigador:

"- Adeus, meu pequeno - disse Matias. - Não se esqueça do seu avô.
- Eu nunca o esquecerei! - retruquei.
Escorreguei então, sozinho, até a passagem subterrânea, e arrastei-me pelo longo túnel escuro, falando comigo mesmo todo o tempo para não ficar muito assustado.
- Não faz mal que esteja escuro como breu. Não, você não vai ficar sufocado, de modo algum. É verdade que um pouquinho de terra está caindo no seu pescoço, mas isso não significa que o túnel vai desabar, seu bobo! Não, Dodô, o gordo, não vai ver quando você sair do outro lado. Ele não pode ver no escuro, não é? De certo que Jonas está esperando por você. Ele está lá, ouviu? Ele está lá!" (p. 117)

Astrid Lindgren consegue criar uma estória repleta de personagens fascinantes que lutam contra a opressão sem perder a suavidade - é Sofia, frágil e forte, com suas pombas brancas; é Matias, o vovô-amigo que luta e protege os meninos; é Hugo, o arqueiro... Consegue nos encantar com Carlos, um personagem com quem nos identificamos, mesmo que não queiramos (mesmo que desejemos ser sempre Jonas, o bravo). Todos os personagens mudam, mas é Carlos o que passa pelas maiores transformações, evoluindo com suas experiências, conforme as aventuras se sucedem.

Esta é a terceira vez que leio Os irmãos coração-de-leão, e sei que o lerei muitas mais... Assim é a boa literatura para todas as idades, aquela que encanta, que dura no tempo... que nos leva a Nangaiala e ao Vale das Roseiras Silvestres, que por um instante nos faz acreditar em mundos melhores, que nos faz sentir o verdadeiro prazer da leitura.

Nessa edição, que foi garimpada pra trazer lembranças antigas, temos também as graciosas ilustrações de Ilon Wikland, que tanto enriquecem o texto.

Carlinhos chega na estalagem Galo Dourado
Ilustração de Ilon Wikland (p. 36-37)


Para conhecer mais pouco do trabalho dessa ilustradora, um vídeo que faz propaganda de um DVD mostra alguns de seus desenhos. Pena que a narração esteja em sueco e, dessa língua, infelizmente não entendo absolutamente nada... mas é possível apreciar as imagens (essa grande desbravadora das fronteiras linguísticas)!



Para saber mais sobre a excelente escritora que foi Astrid Lindgren, clique aqui (em português) ou aqui para mais informações (website oficial).

Mais alguns dados da obra:

Autora: Astrid Lindgren
Tradução do sueco por: Maria Aparecida Moraes Rego (esta foi considerada uma das 10 melhores traduções de textos infanto-juvenis feitas no Brasil no ano de 1984)
Ilustrações: Ilon Wikland
Título original: Bröderna Lejonhjarta
Editora: Nórdica
Rio de Janeiro, 2a. edição, 1986

Obs.: a aventura da releitura deste lindo livro começou aqui.

Os irmãos coração-de-leão - Astrid Lindgren (1 - o achado)


Sofia e suas pombas brancas
Ilustração de Ilon Wikland
In: Os irmãos coração-de-leão de Astrid Lindgren (p. 40)



Como chegamos a um livro, por que decidimos ler este e não outro naquele momento, quais impressões fluíram durante o ato de ler - estes são alguns pontos que fazem com que algumas leituras também tenham sua história. As releituras, às vezes, duas ou mais delas - a do passado, a do presente.

A história da releitura de Os irmãos coração-de-leão começa, como já aconteceu outras vezes, com um passeio pela livraria. Mais uma vez, na seção de infantis, encontrei uma edição nova do livro agora pela Companhia das Letrinhas. A história lida há muito tempo estalou na memória - um livro lindo - mas daqueles que a gente empresta e que acabam não voltando (ganharam outros rumos...). Em decisão rápida - pronto - comprei a edição nova.

Vontade de começar a ler logo! Mas... fato estranho, a leitura não batia com a leitura da memória, com as emoções do passado, onde estavam as belas ilustrações que havia antes? Por que essa sensação? Fiz mais duas tentativas e a leitura continuava a não fluir... o tradutor era outro (a partir da versão inglesa do texto e não do original sueco), a edição outra, as ilustrações outras. E então a dúvida - será que, lá dentro, uma memória afetiva com o livro do passado ficara gravada?

O jeito foi recorrer aos sebos (nesse caso, a providencial Estante Virtual) e, maravilha, lá estava uma edição antiga a um preço camarada - o livro antes tinha sido editado pela Nórdica e tinha as ilustrações de Ilon Wikland. Comprado, foi só esperar o livrinho chegar pelo correio e, que alegria, tê-lo nas mãos! Agora sim... só o fato de pegá-lo, folheá-lo, já despertou as boas sensações que estavam guardadas em algum lugar.

E que delícia reler as aventuras de Jonas e Carlos Coração-de-Leão!
Para saber mais sobre o livro e sobre essa releitura, é só clicar aqui.