segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Beija-flor (Ruby-throated humming-bird - Origami )


Mais um modelo delicioso de dobrar do Michael G. Lafosse. Os diagramas estão nas páginas 68 a 72 do livro Advanced Origami, sobre o qual já comentamos aqui.

No modelo original, cuja foto consta do livro e pode ser vista no alto da capa, o autor, baseando-se nos beija-flores da região do Arizona que têm peito vermelho, usou um papel brilhante verde na parte externa e vermelho na parte interna, o que deu um efeito muito bonito.

Para os pássaros cinza e dourado que dobrei, utilizei papéis decorados de 15 X 15 cm, resultando em um modelo de aproximadamente 10 cm.


Para o vermelho, usei papel-sanduíche de 13,5 X 13,5 cm.




Ainda vou tentar encontrar um papel que tenha um azul-violáceo brilhante para dobrar um beija-flor parecido com o que mora em uma árvore aqui perto!





Para saber um pouquinho mais sobre beija-flores: em inglês, no site All about birds e, em português, no site WikiAves.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A Abadia de Northanger - Jane Austen (Northanger Abbey)



Austen. Sempre fonte de prazer estético e boas descobertas.

Quando comprei a Abadia de Northanger, em inglês, não havia conseguido, na época, nenhuma edição traduzida para o português. O livrinho ficou na estante por algum tempo, mas no último dezembro, resolveu se rebelar e dar uma piscadinha marota, lá do meio dos outros.

Pensei... por que não? E, pronto, lá estava eu, avidamente engolindo suas letras. Depois tentei lembrar porque demorei tanto, porque o livro ficou esquecido entre os outros... Como este não era muito comentado, acabei privilegiando a leitura dos mais famosos, como os excelentes Orgulho e Preconceito e Mansfield Park.

Então, a surpresa e a alegria foram grandes quando cheguei ao final da leitura. Pesquisas e mais pesquisas para saber mais sobre ele: primeiro livro escrito por Austen, só foi publicado postumamente em 1818. Apesar de seu direito de publicação ter sido vendido pela autora em 1803, como não havia sido publicado até 1816, ela readquiriu seu manuscrito. Contudo, a obra acabou vindo a público apenas após seu falecimento em 1817.

Para mim esta é, levando em conta que as ironias e comentários se transformaram mais facilmente em riso, a mais bem humorada estória de todas as que li da autora até agora (Orgulho e Preconceito, Mansfield Park e Emma). Por ser o primeiro escrito por Jane, me surpreendeu muito pela visão que ela já tinha das pessoas, de suas relações, de como se movem no meio social.

Desde o começo acompanhamos com interesse Catherine Morland, denominada por Austen, várias vezes, como a heroína de sua estória. Com isso, a autora permitiu-se fazer contrapontos por vezes irônicos, por vezes bastante divertidos, com as personagens de romances góticos, como a de Os mistérios de Udolpho (The mysteries of Udolpho) de Ann Radcliffe (citado na Abadia).

Se tomarmos o início de Os mistérios de Udolpho, por exemplo (do qual li as primeiras 55 páginas), as características da personagem principal, Emily, são, mais ou menos, as seguintes: é filha única de uma família de posses, é bonita e bastante prendada: desenha, pinta, toca e canta maravilhosamente, enquanto Catherine é filha entre muitos irmãos (como a própria Jane Austen foi, inclusive), mora num local retirado, sua família tem posses modestas e foi criada como uma garota comum, sem grandes brilhantismos - características bem mais realistas e que, sem dúvida, nos cativam muito como leitores.

A "aventura" de Catherine começa quando, com 17 anos, ainda muito inexperiente, é convidada pelos Allen, amigos da família, para passar algum tempo com eles em Bath (local que a própria autora visitava em sua época). Lá se verá às voltas com bailes, locais diferentes e com pessoas dos mais diversos tipos que por ali circulam. Fiquei tão envolvida pela leitura, que torcia para que a doce e sonhadora Catherine conseguisse perceber e aprender a lidar com a malícia da realidade à sua volta.

Sorriso e riso tiveram de se manifestar, durante a leitura, em algumas dessas situações. Um exemplo? Quando Catherine, cheia de imaginações sobre a Abadia, lá chega e, em seu quarto, encontra, por ali, uma caixa grande e pesada, um tipo de baú talvez (chest em inglês), misterioso e também quando resolve reparar em uma escrivaninha colocada a um canto. O que aqueles objetos antigos poderiam estar escondendo? Pergaminhos, documentos ocultos, algum segredo, já que a Abadia era bastante antiga?

É lá, como convidada dos Tilney, que ela vai acabar percebendo o quanto imaginação e realidade são diversas. Busca encontrar fatos semelhantes aos que lia em seus romances góticos, seus romances de terror, mas que, na realidade, se apresentam bastante diferentes. Austen acaba satirizando, assim, também os leitores de romances de sua época que acabavam acreditando na ficção como se fosse realidade. Sobre isso, vale ouvir o debate registrado no site da Penguin Books na área denominada Austen-Mania, no espaço reservado para discussões sobre sua obra.

É gostoso acompanhar a mudança dos pensamentos da personagem, seu modo de ver o mundo, até o final da estória, ver como se desenrolarão as suas "aventuras".

Outra grande alegria desta leitura foi, nas pesquisas sobre a obra na web, descobrir vários blogs e sites que tratavam do assunto, mas, principalmente, acabar encontrando a Jasbra (Jane Austen Sociedade do Brasil). O grupo estava, justamente quando cheguei ao final da minha leitura, organizando e realizando discussões sobre a Abadia. Os debates por lá são ótimos e as pessoas são muito, muito especiais. Se você é fã de Jane Austen, como eu, vale conhecer.


Mais alguns dados da obra:
Autora: Jane Austen (1775-1817)
Título original: Northanger Abbey
Editora: Penguin Books - Coleção Penguin Popular Classics
Inglaterra, 1994, 236p.
Obra publicada originalmente em 1818.


Blogs e sites para consulta:
- Jane Austen Sociedade do Brasil - Jasbra
- Jane Austen Portugal
- Austen-mania (Penguin Books)
- Jane Austen (em inglês)
- The Jane Austen Centre (em inglês)
- Livros em inglês disponíveis no Girlebooks

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Aquarela (Estudos - 4)

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... parada,
tento criar ondas.
Um mar de dentro.
Aqui fora.


(Aquarela sobre papel fabriano grana grossa)

Guache (Estudos - 1)

Estudos com guache sobre papel fabriano satinado, baseado na capa do CD Animals do Pink Floyd.

A ideia do estudo era experimentar a troca de cores usando o triângulo de Goethe e foi proposta nas aulas da Quanta. A primeira tentativa está próxima das cores originais. Na segunda, foi trocada a chave de cores. É impressionante como a atmosfera da pintura fica diferente.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Flor que se abre (Revealed Flower - Origami)

Este é um origami que se transforma, gostoso de fazer e gostoso de mexer depois de pronto.

A dica para fazer este origami veio de um colega de desenhos e tintas, o Luís. Quando ele me mostrou o diagrama, achei bastante interessante. Busquei, então, imagens na internet para ver como ficava o modelo pronto. É um pouquinho trabalhoso, mas não é tão difícil. Será que poderíamos classificá-lo como um origami modular de nível intermediário? Talvez, pois ele requer algum conhecimento para encaixar as peças.

Para fazê-lo, precisamos dobrar 90 peças. Destas, 60 peças para as flores (no meu exemplo, peças coloridas) e 30 para as folhas (nesse caso, usei peças brancas).


Usei, na primeira tentativa, papéis de 15 X 15 cm e o modelo ficou muito grande. Então resolvi fazer um modelo um pouquinho menor para que ficasse mais delicado, usei papéis de origami decorados de 5 X 5 cm.

Algumas etapas da montagem - 1) flores / 2) encaixe inicial


Bom, para fazer este modelo, pode ser seguido o passo a passo que está disponível no Youtube e que anexo abaixo. Ajudou bastante, principalmente no uso da cola em bastão, que torna a vida da gente muito mais fácil.





Fica aqui o meu agradecimento para o Luís e para a pessoa que montou o vídeo do Youtube.

E, para quem for tentar fazer a Revealed Flower, boas dobras!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estela - Fada da floresta - Marie-Louise Gay


Mais um livro infantil daqueles especiais - gostoso de ver, de pegar, de cheirar, de ler...

Vamos desde o comecinho passeando com o pequeno Marcos e sua irmã Estela de cabelos vermelhos e revoltos. Ah, e não vamos esquecer o simpático cachorrinho que os acompanha o tempo todo.

Podemos ficar pensando, no comecinho da estória, que Estela, a mais velha, vá mostrar tudo, explicando, para o irmãozinho... Mas o bate-papo dos dois é bem mais interessante - é um bate-papo cheio de iluminações, de ambos os lados. Quer um exemplo?


"[...] - Aquilo é uma borboleta, Marcos - explicou Estela.
- As borboletas comem mel? - ele perguntou.
- Só as amarelas - respondeu Estela.
- Então as borboletas azuis comem pedacinhos do céu - concluiu Marcos.
- Como você sabe? - Estela perguntou." (p. 10-11)

Mas só as palavras e apenas uma citação não vão conseguir mostrar toda a graça dessa estória. Essenciais são também as imagens - as singelas ilustrações da canadense Marie-Louise: tudo bastante delicado, simples e bonito. Daquela simplicidade que sabemos ter sido bem planejada, bem gestada. Gostei de tudo, mas em especial das que estão nas páginas 14 e 15, 20 e 21 - que cores, que leveza... que sensação de ser criança de novo. Um passeio de descobertas!

Terminei o livrinho com a sensação de também querer ficar ali na floresta para sempre, mas ao mesmo tempo de sair correndo para comentar o que vi ali e também do que descobri na internet : uma entrevista com a autora na qual ela conta sobre seus personagens, sobre suas estórias e sobre como ela monta as suas ilustrações. Vale muito a pena conferir a própria autora contando sobre o seu trabalho.

Aqui a segunda parte - que trata da produção das obras. A primeira parte da entrevista pode ser conferida no link abaixo:



A primeira parte desta entrevista de Janice Barcellos e Claudia Erthal pode ser vista aqui.

Ah! e uma outra vontade grande - mostrar esse livrinho para a primeira criança que encontrar!

Mais alguns dados da obra:

Título original: Stella, fairy of the forest
Texto e ilustração: Marie-Louise Gay
Tradução: Gilda de Aquino
São Paulo: Brinque-book, 2006, 32p.
Publicação original: Canadá, 2002.