segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Aquarela - Brincares (II)


Aquarela sobre papel fabriano grana fina


Esta aquarelinha nasceu para ser um presente para o meu amigo secreto lá do curso de ilustração - uma pessoa muito bacana que tem um trabalho bastante interessante e bonito - o Whip.

Fiquei pensando por várias semanas no que poderia desenhar e pintar. De repente, a ideia surgiu, assistindo a um documentário delicado e bem feito sobre o artista russo e mestre da iconografia Vladislav Andrejev. Ali, podemos ver o seu trabalho de pintura no domo da Igreja St. Michael nos EUA, enquanto acompanhamos alguns flashes do seu dia a dia. Gostei muito dos momentos em que os artistas interrompem um pouco o seu trabalho e vão curtir a vida, brincar um pouco com ela.

Para quem não conhece o vídeo, intitulado Master, estou vinculando abaixo (legendas em inglês):

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Marcelino Pedregulho - Sempé




Quando peguei o livro do Marcelino pela primeira vez, esperava encontrar os admiráveis desenhos do Sempé, que já conhecia de O Pequeno Nicolau e Monsieur Lambert. Acabei encontrando muito mais: uma estória delicada que fala de sensibilidade e amizades verdadeiras.

Marcelino Pedregulho é um menininho que fica vermelho, ruboriza sim, mas sem saber o porquê. Quando teria de ficar vermelho, não fica. Quando não precisaria ficar assim, aí fica. Pois bem, aos poucos o pequeno Marcelino vai ficando cansado de tanta gente perguntando - por que você está tão vermelho? aconteceu alguma coisa? e vai se afastando de todo mundo. Prefere brincar sozinho. Quem não preferiria?

Mas um dia, quando Marcelino está voltando para casa, escuta alguém espirrando - não um, não dois, nem três - mas muitos, muitos espirros. E é assim que ele conhece um menino que também é diferente - o Renê Rocha. Começam a conversar e daí surge a estória desta grande amizade que vai ter suas complicações, mas também vai conseguir vencer o tempo.

É livro de ler e não esquecer de ver, observar, olhar bem as imagens. Geralmente quem está mais acostumado apenas com os livros de textos acaba passando por cima dos desenhos, dando pouca importância a eles. Neste caso, atenção: as ilustrações, às vezes muito mais que o texto, despertam nossa sensibilidade para as delicadas situações que Marcelino e Renê vivem (observe, por exemplo, as das páginas 13, 20 e 21. Note como as ilustrações das páginas 14 e 15 conversam com as das páginas 40 e 41).

A Cia. Trucks de Teatro de Bonecos fez uma adaptação desta estória que ficou muito especial e pode ser conferida neste link da Revista Crescer. Nesse vídeo, para quem ainda não pegou o livro nas mãos, além de conhecer um pouco mais a estória, vai poder admirar os desenhos do Sempé e a simpatia da Cia. Trucks.

Espero que vocês possam apreciar a leitura deste livro tão especial e aproveito para desejar a todos um Feliz 2011!


Mais alguns dados da obra:

Autor e ilustrador: Jean-Jacques Sempé (1932- )
Título original francês: Marcelin Caillou
Tradução: Mário Sérgio Conti
Edição: Cosac Naify, São Paulo, 2009, 128p., 65 ils.
Publicado originalmente em 1969.


sábado, 27 de novembro de 2010

Aquarela (Estudos - 8) - Brincares (I)


Aquarela sobre papel fabriano grana grossa


Finalmente consegui voltar a pegar nos pincéis - como estava fazendo falta!

Este estudo foi feito com base em uma foto da revista National Geographic Brasil, parte de uma matéria que tratava da aldeia tucumã localizada no noroeste do Amazonas.

Para chegar ao resultado final, passei pelo esboço do desenho e pelo estudo de cores - este feito em um papel sulfite comum, usando giz pastel, pastel seco e lápis de cor. Esses estudos são essenciais para o resultado final.




Ainda preciso estudar muito, principalmente perspectiva, anatomia e as relações de luz e sombra. Os estudos também são bons para isso - para descobrirmos onde podemos aperfeiçoar nossos conhecimentos!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Taxi - Gustavo Duarte



Há um ano, mais ou menos, comentei sobre o quadrinho de estreia do Gustavo Duarte, a impecável Có! Naquela época, indiquei que já estava esperando pela continuação ou por uma nova publicação, tão boa havia sido aquela primeira experiência.

Valeu muito a pena esperar um pouquinho - acabo de pegar nas mãos a Taxi.
Gostei logo de cara do formato do envelope que chegou pelos correios, agora quadrado e não mais retangular, lembrando um daqueles compactos antigos de 33/45 rotações. Com aquela coceira nas mãos, abri com cuidado, devagarinho. E ali estava - mais um trabalho excelente do Gustavo!

Bela narrativa gráfica, apenas de imagens, sem palavras - traços elegantes.

Nessa edição assistimos as peripécias de um músico de jazz que, apressado para recuperar uma maleta esquecida, pega um táxi com um motorista bastante inusitado. Até que consigam chegar a seus destinos, muitas aventuras são vividas pelo motorista e seu passageiro, num clima bastante surreal.

Também os detalhes são muito bem pensados - voltei ao passado vendo o taxímetro e o afogador que aparecem no táxi!

E as sensações da leitura? Encanto, surpresa, riso - uma alegria ler/ver/olhar a Taxi!

Ah, para quem quiser experimentar, esse quadrinho independente pode ser adquirido no blog do autor (atendimento de primeira!).

Mais alguns dados da obra:
Autor: Gustavo Duarte - http://www.gustavoduarte.com.br/
Edição: 10/2010, Bauru, São Paulo, Brasil - 32 p.

Para saber um pouco mais, veja a entrevista concedida ao Blog dos Quadrinhos (post do dia 27/10/2010)


Os próprios deuses - Isaac Asimov



"À humanidade e à esperança de
que possamos, um dia, vencer a
guerra contra a insensatez."
Com essa dedicatória tomamos o primeiro contato com esta obra de Asimov.

É daqueles livros que prendem a atenção não só pela capacidade do autor em manter a narrativa interessante, mas também por sua capacidade criativa. O enredo inicia-se com a descoberta de uma nova fonte de energia e a forma como os cientistas ligados à descoberta lidam com isso. Daí em diante, discutem-se as aplicações dessa energia e as implicações e perigos que isso pode ocasionar para o universo e seus habitantes.

Não se trata apenas do planeta Terra. O autor dividiu a narrativa em 3 capítulos que se passam em mundos diferentes (a Terra, o Para-universo e a Lua), intitulados respectivamente: Parte I: Contra a estupidez..., Parte II: ...os próprios deuses..., Parte III: ...lutam em vão?, e manteve bem amarrado o fio condutor que une esses três mundos.

Asimov impressiona não só pelos mundos admiráveis que nos apresenta, mas também como cria os seres que habitam cada um deles e seus comportamentos.

Além disso, a dedicatória acima e os títulos dos capítulos dão o indício de que não se trata apenas de uma história bem contada. A todo momento o texto aponta situações que despertam nosso senso crítico. Até que ponto a nova energia é voltada para o "bem do universo"? Como isso o afeta? E se for realmente boa, como usá-la para não destruir o que existe?

Orgulhos pessoais, interesses econômicos e políticos permeiam a história: as vaidades e mazelas do meio científico e acadêmico, a acidez do meio político, e as complicações das relações interpessoais. Do macro ao microuniverso imaginado e vice-versa, o autor nos faz questionar o que seria sensato ou não.

Para citar um exemplo de como a realidade é cruamente exposta, cito o trecho abaixo - fala de um político da Terra:

"- É um erro supor que as pessoas querem o meio ambiente protegido ou suas vidas salvas, e que se sentirão gratas com qualquer idealista que se disponha a lutar por essas causas - disse o senador. - O que o povo deseja é seu próprio conforto. Sabemos disso muito bem, desde a crise ambiental do século 20. Assim que ficou estabelecido que o tabagismo aumentava a incidência de câncer de pulmão, a solução óbvia era parar de fumar, mas o remédio desejado era um cigarro que não estimulasse o câncer. Quando ficou claro que o motor de combustão interna estava poluindo perigosamente a atmosfera, a solução óbvia era abandonar esses motores, e o remédio foi desenvolver motores não poluentes. Por isso, meu jovem, não me peça para parar o bombeamento. A economia e o conforto do planeta inteiro dependem disso. Em vez dessa solução, diga-me como manter o bombeamento em ação, sem explodir o Sol." (p. 72)
Este livro foi escrito em 1972, mas, como toda boa ficção científica, tem elementos visionários, mantendo-se bastante atual. Gostei bastante e recomendo a leitura!

Para saber um pouco mais sobre o autor:

Mais alguns dados da obra:
Autor: Isaac Asimov (1920-1992)
Título original: The Gods Themselves
Publicação original: 1972
Tradução: Sílvia Mourão
Editora: Aleph. São Paulo, 2010, 367 p.
Obs.: em edições anteriores o título do livro foi traduzido como O Despertar dos Deuses


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Kusudama Sparaxis (Origami)



Este kusudama foi criado em janeiro de 2010 por Lukasheva Ekaterina do site Kusudama Me! e foi sugerido como dobra pela Márcia numa atividade muito agradável chamada Calendário que acontece lá no grupo Origami Kawakami.

Fazia bastante tempo que não dobrava kusudamas, por isso gostei muito da dica. O site citado tem muitas criações bonitas e com diagramas disponíveis para que possamos dobrar.

Este modelo (cujo diagrama pode ser acessado neste link do Kusudama Me) é composto por 30 peças dobradas a partir de papéis retangulares.

O kusudama colorido (acima) foi dobrado com peças de 15 cm X 7,5 cm e ficou com um tamanho final de 18 cm X 18 cm.

Para o vermelho, usei papéis de 9 cm X 4,5 cm, resultando em um modelo montado de 11 cm X 11 cm.



Foram mais ou menos duas horas e meia para dobrar as 30 peças e encaixá-las, formando o kusudama Sparaxis. Pretendo visitar mais vezes o ótimo Kusudama Me! e experimentar mais alguns modelos!


domingo, 31 de outubro de 2010

Esquilo (Squirrel - Origami)




Este modelo do Michael G. Lafosse foi dobrado seguindo os passos do livro Advanced Origami, sobre o qual já comentamos aqui.

Na primeira tentativa, costumo usar papel manteiga - ele é um pouco mais duro, mas é bastante fiel (rs) - aguenta muitos dos nossos erros sem rasgar.

Para a versão final (foto) utilizei papel sanduíche de 30 X 30 cm. Como esse papel também é um pouco mais encorpado, o esquilo não ficou tão jeitoso e arredondado como o do autor. Em seu livro, Michael recomenda usar papéis de 58 cm para obter um esquilo dobrado cujo tamanho se aproxima do tamanho do animal verdadeiro.

Como nos outros modelos que já dobramos desse livro, os 39 passos (constantes das páginas 52 a 57) estão muito claros e muito bem descritos.


É um origami muito gostoso de dobrar - experimente!