sábado, 13 de agosto de 2011

Aquarela (Estudos 17) - Água e Transparências





Aquarelas sobre papel fabriano grana fina


Estes foram estudos realmente trabalhosos. Um processo que requer planejamento e conseguir dominar a ansiedade para conseguir as fusões, aguardar o papel secar em alguns momentos, deixá-lo completamente úmido, molhado em outros momentos.

Os resultados ainda não estão muito bons (principalmente nas transparências - é preciso muito cuidado para reservar os brancos!).

A cada estudo, a cada nova dica do Cárcamo, percebo que é preciso estar com as mãos e os olhos na aquarela mais e mais. Melhorar, conseguir alcançar algumas metas, depende de muita dedicação. Então, vamos lá!




segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aquarela (Estudos - 16)



Aquarela sobre papel fabriano grana fina


Este foi mais um estudo muito interessante e desafiador, com saturação reduzida, baseado na obra de John Singer Sargent.

O original tem cores mais vibrantes e linhas mais fluidas - foi um trabalho com o qual aprendi muito.

O quadro intitula-se Woman Reclining, é de 1908, tem dimensões de 51 X 35,7 cm, e está hoje no Museu de Arte de Cincinnati (informações extraídas do livro The Watercolors of John Singer Sargent, de Carl Little, p. 27).

sábado, 9 de julho de 2011

Aquarela (Estudos - 15)



Aquarela sobre papel fabriano satinado



Aquarela sobre papel fabriano grana fina


Mais alguns estudos de aquarela muito interessantes. A proposta no curso do Cárcamo, nessa aula, foi alcançar sínteses na aquarela em estudos sem usar o lápis.

Os animais e as crianças foram estudos que fiz baseados em fotografias.

Já o estudo abaixo é uma reprodução baseada em pinturas do Cárcamo, daí ficou mais fácil de perceber como fazer as fusões.
Este é um exercício que venho repetindo - além de ajudar a perceber melhor como unir as manchas sem deixar muitas marcas, está ajudando a soltar o traço também!


Aquarela sobre papel fabriano grana fina
baseada em imagens do Cárcamo


sexta-feira, 8 de julho de 2011

O Fantasma de Canterville - Oscar Wilde


"Uma crônica divertida das atribulações do Fantasma de Canterville quando seus salões ancestrais se tornaram o lar do embaixador americano junto à Corte de Saint James." (O.Wilde)


A estória começa com uma família tipicamente americana (os Otis) que, na Inglaterra, resolvem adquirir a propriedade onde habita um célebre e terrível fantasma, a despeito dos avisos de seu proprietário, Lorde Canterville, e do medo expressado pelos criados da casa.

Com um ceticismo característico, a nova família questiona a presença do fantasma. Contudo, em determinado momento, a existência da entidade não pode mais ser negada, o que, entretanto, não intimida os novos moradores - os filhos gêmeos, por exemplo, não hesitam em pregar várias peças no espírito, e o mais velho, Washington, recorre a vários recursos para tentar desbaratar as ações sobrenaturais.

É bastante interessante como o escritor vai apontando os sentimentos do fantasma ao se ver tão desprezado, ao mesmo tempo em que vai se lembrando como sempre fora tão temido. O que estaria mudando? Nesse ponto, a narrativa que vinha sendo feita em terceira pessoa, dá voz ao fantasma, passando à primeira pessoa.

O único membro da família que parece se sensibilizar com a, agora, triste figura é a delicada Virgínia, que terá papel importante na redenção do fantasma, mas isto só poderá ocorrer se uma velha profecia se concretizar... afinal ele havia cometido um crime horrível.

Mais do que uma simples estória de fantasmas, nessa narrativa, Wilde brinca com contrastes existentes entre as culturas inglesa e americana. Ironiza em vários momentos o tradicionalismo inglês e as "modernidades" e o racionalismo americanos, como quando os novos habitantes recebem da governanta da casa explicações sobre uma mancha de sangue no assoalho que teria origem sobrenatural:

"A velha mulher sorriu e respondeu com a mesma voz baixa, misteriosa: 'É o sangue de Lady Eleanore de Canterville, que foi assassinada exatamente naquele lugar pelo marido, Sir Simon de Canterville, em 1575. Sir Simon sobreviveu a ela nove anos e desapareceu de repente, em circunstâncias muito misteriosas. Seu corpo nunca foi encontrado, mas seu espírito culpado ainda assombra a Quinta. A mancha de sangue foi muito admirada por turistas e visitantes e não pode ser removida'.

'Isso tudo é um disparate', exclamou Washington Otis. 'O Campeão dos Tira-Manchas Pinkerton e o detergente Paragon vão removê-la num instante.' E, antes que a apavorada governanta pudesse interferir, ele se ajoelhou e esfregou o chão rapidamente [...]" (p.14-15)

Bastante irônico e até cômico ao início (não há como conter o riso em algumas passagens), aos poucos o livro vai ganhando um toque mais sensível e culmina com uma mensagem bem mais profunda, ao final, sobre o tema vida e morte ... Diz Virgínia:

"Não me peça tal coisa, Cecil, não posso dizer-lhe nada. Pobre Sir Simon! Devo muito a ele. É isso mesmo, não ria, Cecil. Mostrou-me o que é a Vida, o que significa a Morte e por que razão o Amor é mais forte do que a Vida e a Morte." (p.60)


Ilustração de Lisbeth Zwerger (p. 35)

Este foi mais um clássico que valeu a pena conhecer e cuja leitura se tornou ainda mais agradável na indispensável edição da Berlendis & Vertecchia, pelas delicadas ilustrações da premiada artista Lisbeth Zwerger. As imagens completam o texto com um toque bastante especial. Outras aquarelas da artista podem ser vistas no blog Entre lápis e pincéis.

Mais alguns dados da obra:

Texto integral
Autor: Oscar Wilde (1854-1900 - Irlanda)
Título Original: The Canterville Ghost
Tradução e Notas de: Renata Lucia Bottini
Ilustradora: Lisbeth Zwerger (1954 - Áustria)
Editora Berlendis & Vertecchia, São Paulo, 2009, Coleção Os meus clássicos, 63 p.


sábado, 4 de junho de 2011

A árvore vermelha - Shaun Tan



Lindo.
Poesia de ver.
É livro de todas as idades.

Se, a partir de agora, por um momento,
eu me sentir triste,
certamente me lembrarei de um alento,
de que, a cada passo, uma folhinha da árvore vermelha
estará ali, esperando...
esperando pronta para brotar.

Esta obra é livro de deixar-se levar,
de parar para admirar as maravilhosas ilustrações de Shaun Tan...
Por isso, uma importante dica de leitura:
nele imagens e textos se mesclam,
se misturam
se completam, então:
pegue o livro nas mãos,
respire fundo, bem fundo, relaxe
e demore bastante em cada página... observando cada detalhe.



"Quem já não acordou algum dia
com a certeza de que tudo vai mal
e não há nada a fazer?
Quem já não se sentiu
como um peixe fora d'água
em um mundo pra lá de estranho?"
(texto da contracapa do livro A árvore vermelha de Shaun Tan, acima)

Shaun Tan é um artista australiano merecidamente premiado por suas belas criações, com toques surreais. Para saber um pouco mais sobre ele, visite o site (em inglês): http://www.shauntan.net/news1.html

Mais alguns dados da obra:

Autor / ilustrador: Shaun Tan
Título Original: The red tree
Traduzido por: Isa Mesquita
Publicado originalmente pela Lothian Books (Hachette Libre Australia)
São Paulo: Edições SM, 2009, 32 p.


sábado, 28 de maio de 2011

Aquarela (Estudos - 14)


Aquarela sobre papel fabriano grana fina


Mais um estudo baseado na obra do John Singer Sargent, com paleta reduzida.
Tentar decifrar, entender e reproduzir como o artista fez o seu trabalho é um estudo enriquecedor!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Os contos de Beedle, o Bardo - J. K. Rowling




Quem é fã da série Harry Potter da escritora britânica J. K. Rowling já conhecia Os Contos de Beedle, o Bardo, como um livro infantil existente no mundo dos bruxos.

Mas, mais do que isso, em As Relíquias da Morte, um exemplar desse pequeno livro foi deixado como uma herança especial do Prof. Dumbledore para a Hermione, e teve papel crucial nos eventos sombrios que se sucederam na batalha contra o famigerado Você-Sabe-Quem.

A curiosidade sobre esse livro infantil não deixou de ficar latente por aqui (no mundo dos não-bruxos) e, em 2008, veio à luz em uma nova edição que, conforme a autora, foi traduzida diretamente das runas originais pela própria Hermione, com uma compilação de comentários que Dumbledore havia feito, no passado, sobre os contos. Assim, Rowling, incluindo suas próprias ilustrações, permitiu que também nós conhecêssemos mais esse detalhe que envolvia as crianças de Hogwarts.

O livro contém cinco contos interessantes de tempos remotos, transmitidos através das gerações pelos adultos bruxos a seus filhos e alunos. Nessa simpática edição constam: O bruxo e o caldeirão saltitante; A fonte da sorte; O coração peludo do mago; Babbity, a coelha, e seu toco gargalhante; e O conto dos três irmãos (que ganhou uma belíssima animação no filme As relíquias da morte, parte 1 - é possível vê-la, por enquanto, clicando aqui).

Gostei bastante dos dois primeiros, em especial de A fonte da sorte, que trata de superações e companheirismo. Os comentários de Dumbledore são também muito interessantes, contudo talvez interessem mais a adolescentes e adultos e não tanto às crianças. Minha sobrinha de 10 anos devorou os contos, mas deixou os comentários para ler depois. Esse tipo de obra me fez lembrar a estrutura de as Histórias da Tia Nastácia (Monteiro Lobato), guardadas as evidentes diferenças, claro. No clássico nacional, também Emília, Pedrinho, Narizinho e D. Benta comentavam e criticavam as fábulas e as estórias de fadas contadas pela nossa bondosa tia quituteira.

Rowling foi bastante perspicaz ao incluir esses comentários que, em alguns momentos, criticam a forma como alguns pais e escolas deturpam (ou se acham no direito de alterar) os contos de fadas originais, supondo que, assim, estão "poupando" ou "protegendo" suas crianças de algum perigo ou ideia "subversiva", agindo com um zelo excessivo, como se as crianças devessem ser destacadas do mundo que as rodeia. É como bem diz Dumbledore, ironicamente, no comentário que aparece após o conto O bruxo e o caldeirão saltitante (que trata do uso de magia para ajudar as pessoas comuns, os trouxas):

"[...] Este preconceito foi gradualmente se extinguindo em face da avassaladora evidência de que alguns dos bruxos mais brilhantes do mundo foram, para usar o termo comum, 'amantes dos trouxas'.

A objeção final a 'O bruxo e o caldeirão saltitante' ainda hoje permanece viva em certos setores. Beatrix Bloxam (1794-1910), autora do abominável Os contos do chapéu-de-sapo, foi, talvez, quem melhor resumiu a questão. A sra. Bloxam acreditava que Os contos de Beedle, o Bardo prejudicavam as crianças por sua 'mórbida preocupação com assuntos horrendos como morte, doença, derramamento de sangue, magia perversa, personagens perniciosos, e efusões e erupções corporais repugnantes'. A sra. Bloxam reuniu uma coleção de histórias antigas, inclusive várias de Beedle, e reescreveu-as de acordo com os seus ideais, que, em suas palavras, 'incutiam nas mentes puras dos nossos anjinhos saudáveis pensamentos de felicidade, mantinham o seu doce repouso livre de sonhos maus e protegiam a preciosa flor de sua inocência'. [...]" (p. 16-17)

Mas, afinal, o que a referida sra. Bloxam conseguiu das crianças (certamente mais espertas) foi apenas isto:

"O conto da Sra. Bloxam provocou a mesma reação em gerações de crianças bruxas: incontroláveis ânsias de vômito, seguidas por imediatos pedidos para que alguém levasse o livro [dela] e o transformasse em pasta." (p.18)

Os contos de Beedle, o Bardo, é um livro bastante bem feito que deve agradar mesmo aqueles que ainda não conhecem o mundo de Harry Potter.

Mais alguns dados da obra:

Autora: J. K. Rowling (site oficial http://www.jkrowling.com/)
Ilustrações da autora
Título original: The tales of Beedle the Bard
Tradução: Lia Wyler
Rio de Janeiro, Rocco, 2008, 107 p.
Um percentual da venda dos livros é doado para a Children's High Level Group