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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Das preciosidades da grande rede (2) - Brasiliana USP


Mais uma raridade disponível na grande rede mundial. Trata-se da Brasiliana USP.

Um projeto muito bonito, fruto da parceria de José Mindlin e sua esposa Guita com a Universidade de São Paulo, que está tornando possível o acesso a livros raríssimos. Mindlin e Guita doaram para a USP a biblioteca brasiliana que construíram ao longo da vida.



Para quem ainda não conhecia esse ilustre bibliófilo, ele tem um livro muito, muito interessante publicado pela Companhia das Letras, que já li há algum tempo e que se chama Uma vida entre livros. Nele, Mindlin conta como conseguiu vários de seus livros, fala de sua paixão de leitor e de colecionador. Essa edição conta, ainda, com belas ilustrações.

Saber que há uma equipe empenhada em oferecer uma material de qualidade aos internautas, também nos deixa bastante satisfeitos - um pouco pode ser visto em vídeo da Brasiliana Digital:



Os trabalhos ainda estão no começo, mas fiquei muito feliz ao poder ver as páginas da edição do livro de Hans Staden de 1557, principalmente para conhecer as ilustrações da época. Para quem é ou foi estudante de Letras, para quem é apaixonado por livros, para quem ama a leitura, saber que teremos acesso às raridades pela internet e também poder, quem sabe, ver os originais no prédio que está sendo construído no campus da Cidade Universitária em São Paulo é fascinante.

E alegria maior: saber que muita coisa boa mais ainda está por vir!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Das preciosidades da grande rede (1) - Palavras


Taí... resolvi criar uma série com o título acima para compartilhar algumas descobertas na grande rede que, vira e mexe, me surpreendem muito. Como não ficar contente ao encontrar, com a simplicidade de uma busca, de um clique, imagens e palavras tão bonitas quanto as que aparecem nesse vídeo?



É Paulo José declamando o poema José de Carlos Drummond de Andrade no programa Palavras que estreou no Canal Futura no último dia 22 de janeiro.

O programa compõe-se de 8 episódios e todos estão disponíveis na rede (no link do programa) para ouvidos, olhos e sensibilidades atentas - é só se deixar levar...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A eternidade e o desejo - Inês Pedrosa




Cega. Clara já não pode mais ver. Acompanhada pelo amigo Sebastião, resolve visitar novamente o Brasil em uma excursão que, partindo de Portugal, sua terra natal, visitará os locais percorridos pelo Padre Antônio Vieira. Eis um fio breve da narrativa, muito breve, pois o encanto da leitura de A eternidade e o desejo está justamente no modo como tudo é contado, na maneira como a escritora usa as palavras, escolhendo-as, arranjando-as, numa bela trama textual.

Dividido em duas partes - A eternidade, mais longa, e o Desejo, mais curta, surpreendeu-me a forma como o livro está estruturado: cada bloco narrativo é escrito em primeira pessoa: ora é Clara quem narra, ora Sebastião. Entre os dois, sentimentos conflitantes. Para ela, amizade:


[...] As histórias que sonhámos para as pessoas amadas flutuam na neblina dos dias muito quentes, como mentiras leves tocadas pelo peso da verdade. Espuma do mar desfeita ao toque dos dedos. Não te canses a inventar-me no desejo do teu corpo, Sebastião, que o que em mim crês amar não é mais do que a memória das lágrimas, das tuas lágrimas, feitas de uma luz distinta das minhas. [...] (p. 53)

para ele, um amor forte, continuamente frustrado:

[...] Eu sei que tu sabes, Clara - só queria apagar esse sorriso radioso que tu trazes da rua, esse sorriso que contraíste longe de mim, nos braços de outro homem, cega, cega, cega ao amor cego que tenho por ti, cega ao meu sofrimento. [...] (p. 125)



Também está presente a voz do Padre Antônio Vieira em trechos de seus textos que entremeiam a narrativa, pontuando, com seu estilo barroco, o que se vai passando.

Uma obra literária intrigante da primeira à última página. Do começo ao fim, ficamos envolvidos pelos pensamentos e caminhos trilhados por Clara, pela forma como nosso país é descrito - a sensualidade da Bahia, o sincretismo religioso local, as descobertas que ela faz, aos poucos, sobre si própria.

Para aguçar a curiosidade, mais um trechinho da obra:

- Tudo? Mas o que é tudo? Tudo o que vejo? - perguntas num sussurro. Como se, de súbito, te sentisses esmagado pela intraduzível vastidão do teu olhar. O que se vê nunca se pode narrar com rigor. As palavras são caleidoscópios onde as coisas se transformam noutras coisas. As palavras não têm cor - por isso permanecem quando as cores desmaiam. Percebo o teu aturdimento: como se traduz a visão? Como se emprestam os olhos? Impossível. (p. 13)


Mais alguns dados da obra:

Autora: Inês Pedrosa (1962 - Portugal)
Mais informações sobre A eternidade e o desejo, pela própria autora, podem ser vistas na entrevista feita por ocasião da sua participação na Festa Literária de Paraty, clicando aqui.

Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, 179 p.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Poesias


Porque às vezes passamos pelos mesmos lugares
E eles são diferentes...
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"XXXIII
Pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares.
Parecem ter medo da polícia...
Mas tão boas que florescem do mesmo modo
E têm o mesmo sorriso antigo
Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem
Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente
Para ver se elas falavam..."

(O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro)
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