sábado, 24 de maio de 2008

A Força da Vida - Will Eisner

Will Eisner é reconhecido como o grande transformador da linguagem dos quadrinhos. A partir dele, as HQs (histórias em quadrinhos) passaram a ser vistas com um novo enfoque. Cunhando o termo graphic novel (romance gráfico), elevou essa forma de narrativa ao status de arte - a arte seqüencial.

Aventurar-se por estórias como Um Contrato com Deus ou O Complô é mergulhar em um mundo repleto de referências históricas, cru e bruto por vezes, onde pessoas comuns tentam sobreviver.

Em A Força da Vida, álbum que acabo de ler, Eisner penetra na vida de personagens que vivenciam a Grande Depressão ocorrida nos anos 30 nos Estados Unidos. Na tessitura narrativa que se monta em torno da Avenida Dropsie, n. 55, no Bronx, assistimos à luta de Jacob, Elton, Rebecca, Angelo, entre outros, geralmente imigrantes, para se manter vivos.

E, nesse embate, onde ficam os sonhos, os desejos, quando a necessidade de sobrevivência é maior? O que nos diferencia (se é que há essa diferença) dos insetos, além da imensa força da vida? Na abertura, lemos:

Vai saber... Vai saber... Por que todas as criaturas da Terra lutam tanto para viver? Por que elas andam apressadas, fogem do perigo e continuam a obedecer um ciclo natural de existência, aparentemente em resposta a uma misteriosa "Força da Vida"? (p.7)
Mas, quando lemos uma obra como essa, não basta atentar para as palavras (como as transcritas acima) - é preciso observar e apreciar as imagens, prestar atenção aos desenhos, luzes e sombras, perspectivas, emoção e sensibilidade dos desenhos de Eisner - imagem e texto fundem-se forte e harmonicamente na composição da estória. Ver o mesmo texto acima, nas imagens seguintes:




Emocionaram-me bastante as seqüências das páginas 48 e 49, que mostram o desespero de um rapaz que chegou ao fundo do poço com a Depressão, e o capítulo final intitulado Sobrevivência. É o tipo de álbum que acabamos de ler e ficamos folheando ainda um bom tempo, voltando as páginas para relembrar sensações...

Mais alguns dados da obra:
Título original: A Life Force
Tradutor: Marquito Maia
Editora: Devir, 2007, 152p.
Para saber mais sobre Eisner, vale conhecer também o site oficial do autor.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Fireworks (Origami)


Várias imagens e cores em uma única peça que se transforma, conforme você a vai movimentando. Este é o origami Fireworks!
Ele é composto de 12 peças iguais, não muito complexas de dobrar e que, quando acopladas, apresentam um resultado surpreendente - a peça tem mobilidade e se transforma como um caleidoscópio ou como verdadeiros fogos de artifício para os olhos. Na animação abaixo, podem ser vistas algumas fases de dois fireworks que dobrei.



video


Para fazer esse origami, bastou seguir os vídeos do Fireworks de Yami Yamauchi, que estão muito claros e didáticos. No primeiro link, a montagem da peça parece mais complexa e, no segundo, mais fácil. Fiz vários fireworks usando o segundo vídeo. Vale experimentar!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O Historiador – Elizabeth Kostova (últimas considerações)

"O dragão desceu ao nosso vale.
E queimou as colheitas e tomou as donzelas,
E assustou o turco infiel e protegeu nossas aldeias.
Seu sopro secou os rios e nós os atravessamos a pé." p. 451


Terminei o livro ontem à noite, de um fôlego só. O final (principalmente a partir do capítulo 63) é mesmo eletrizante. Afinal posso dizer que o livro me surpreendeu (não sabia quase nada sobre ele quando comecei a leitura) – é um bom romance, bem arquitetado. Gostei bastante da forma como está estruturado – o livro é permeado de correspondências (remetendo à tradição literária do Drácula de Bram Stoker) que fazem a comunicação entre passado e presente e constituem um verdadeiro quebra-cabeças que culminará em um final cheio de suspense e até terror.

Quem gosta de livros volumosos com uma escrita simples, sem grandes pretensões estéticas, de conhecer lugares e costumes, de narrativas de viagens e de suspense terá neste volume prazerosos momentos de leitura (ver as primeiras impressões desta leitura aqui – I e aqui – II).

Mais alguns dados técnicos da obra:
Título original: The Historian
Tradução: Maria Luiza Newlands
Editora: Objetiva, 2005, 541p.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Poesias


Porque às vezes passamos pelos mesmos lugares
E eles são diferentes...
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"XXXIII
Pobres das flores nos canteiros dos jardins regulares.
Parecem ter medo da polícia...
Mas tão boas que florescem do mesmo modo
E têm o mesmo sorriso antigo
Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem
Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente
Para ver se elas falavam..."

(O Guardador de Rebanhos – Alberto Caeiro)
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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Magic Ball – Origami


Tudo o que envolve papel, lápis, tintas, gizes, cores, texturas me fascina demais. Minhas experiências com o origami passaram por várias fases e agora gosto bastante de desafios – encontrar aqueles diagramas bem complexos ou bem trabalhosos para tentar fazer. Foi o caso da Magic Ball. Através de um tópico na comunidade A arte do origami do Orkut (uma excelente comunidade onde todos estão sempre dispostos a trocar experiências e fornecer informações), tomei conhecimento desse origami (veja esta imagem do Youtube).

É um origami trabalhoso que envolve algum conhecimento sobre as dobras conhecidas como tesselations (o Eric Gjerde tem um site repleto de informações e exemplos dessa técnica). Cheguei ao resultado que pode ser visto nas fotos na terceira tentativa, usando um papel não muito fino e medindo 20X40cm. Deu um trabalhinho de algumas horas para finalizar – alguns passos das dobras:














O aspecto das dobras antes de fechar (frente)
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(e verso)















Fechada
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e começando a mudar de forma
(ao fechar, apertando as extremidades,
o resultado é o que aparece
na primeira foto deste post)

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E para quem quiser se aventurar, vou deixar aqui as referências pesquisadas que me ajudaram a montar o modelo (agradecimentos a todos os origamistas que se dispõem sempre a deixar sua ajuda em fóruns, sites, blogs etc.):

1) visão geral da
Magic Ball
2) diagrama da Magic Ball
3) dicas para a composição do modelo
4) dicas para a montagem final do modelo .

Mais uma dica - no início do modelo, quando ainda estamos preparando o papel, prefiro marcar as linhas montanha e vale, e depois inverter, marcando-as novamente (onde estava montanha, fazer vale, e vice-versa - dá mais trabalho, mas achei mais fácil para manipular o papel depois).

terça-feira, 6 de maio de 2008

O Historiador (Elizabeth Kostova) - II (em andamento)

Chegando agora à página 300 deste volume que, na edição que tenho em mãos tem 541 páginas (Ed. Objetiva), já se pode ter uma idéia mais aprofundada sobre o romance (primeiras impressões no post anterior).

A leitura tem um ritmo próprio, não avassalador como alguns livrões que pegamos nas mãos e não paramos de ler (ou de querer ler) até a última página. Mas o suspense consegue manter nossa atenção presa – há algum morto-vivo, vampiro, rondando para impedir as pesquisas de Rossi, Paul, Helen, Turgut? Em alguns momentos, rende boas surpresas. Como neste aqui:

“Virei-me depressa, fechei e passei o trinco na janela e pensei freneticamente em qual seria meu próximo passo. Como me proteger? As janelas estavam todas fechadas e a porta trancada com duplo ferrolho. Mas o que eu sabia dos horrores do passado? Penetravam nos lugares como névoa, por baixo das portas? Ou espatifavam as vidraças e irrompiam subitamente diante de nós? Olhei em torno procurando uma arma. Não possuía um revólver – que de nada serviam contra Bela Lugosi ou Christopher Lee nos filmes de vampiros, a menos que o herói estivesse equipado com uma bala de prata especial. O que Rossi recomendara? ‘Eu não sairia por aí com alho no bolso, ah, não.’ E uma outra coisa. ‘Estou certo de que carrega sua própria bondade, suas noções de moral, ou como quiser chamar, com você. Aliás, penso que a maioria de nós é capaz disso.’ [...] Botei o relógio ao meu lado e verifiquei, com um arrepio supersticioso, que faltavam 15 minutos para a meia-noite. Amanhã, disse a mim mesmo, iria à biblioteca e leria rapidamente tudo o que encontrasse lá para me equipar para os próximos dias. Não faria mal algum aprender mais sobre estacas de prata, guirlandas de alho e crucifixos, se eram estes os recursos prescritos pelos camponeses para combater os mortos-vivos durante tantos séculos. No mínimo, mostraria minha fé nas tradições. [...]” p. 103

Há muitas descrições de lugares e alguns de seus costumes. Acho até que esse tem sido o fator que mais tem me agradado neste volume.

Muitas informações sobre a história do leste europeu, sobre o Vlad Tepes histórico e suas lutas com Mehmed, e também sobre superstições e costumes de várias regiões. Mais do que tudo, essa leitura despertou-me uma curiosidade que poucas vezes tive em outras leituras – a de pesquisar os lugares e fatos ali apontados, principalmente porque, dos lugares descritos, há vários deles cheios de livros!

Querer saber mais (e pesquisar) sobre Oxford e a Câmara Radcliffe, sobre Istambul e a sua magnífica Hagia Sofia e sobre Budapeste foi bastante enriquecedor. Além disso, para os que gostam de livros - pequenos, grandes, de bolso, raros ou não – a aventura também é boa – quase o tempo todo se está às voltas com grandes bibliotecas, com livreiros, colecionadores que geralmente têm uma informação ou outra para acrescentar ao quebra-cabeças que poderá levar ao paradeiro de um professor desaparecido e a possível ligação desse desaparecimento com a pesquisa que ele realizava sobre Drácula. Para dar uma idéia disto vai abaixo mais um trechinho (aqui, na narrativa, Paul e Helen estão em Budapeste):
“Era bom entrar em uma biblioteca novamente; o cheiro era familiar. Aquela era um tesouro neoclássico, toda de madeira escura entalhada, com balcões, galerias, afrescos. Mas o que chamou minha atenção foram as fileiras de livros, centenas de milhares deles forrando as salas, do teto ao chão, suas encadernações vemelhas e marrons e douradas em filas arumadas, suas capas marmorizadas e suas guardas macias ao toque das mãos, as vértebras salientes das lombadas acastanhadas como velhos ossos. Perguntei-me onde teriam sido escondidos durante
a guerra, e quanto tempo tinha sido necessário para organizar todos eles de novo em todas aquelas prateleiras reconstruídas. [...]” p. 280
No próximo post desta seção de Leituras, as impressões finais sobre esse livro.