quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Das preciosidades da grande rede (3) - Revista Ilustrar


Há algum tempo (diga-se desde o primeiro número), acompanho esta excelente Revista brasileira sobre ilustração editada pelo Ricardo Antunes.

Todas as edições podem ser baixadas gratuitamente no site da Revista Ilustrar. É uma preciosidade que precisa ser conhecida e divulgada. Posso dizer que já aprendi bastante e conheci muitos trabalhos instigantes e inspiradores através dela.

Dos números anteriores, para aguçar a curiosidade, destaco algumas matérias que me agradaram muito:

- na Revista 7 - na seção Internacional, há uma entrevista com o grande ilustrador argentino Carlos Nine. Lá ficamos sabendo um pouco sobre o processo criativo do artista e podemos ver algumas de suas lindas ilustrações. Nessa mesma edição, há também uma matéria sobre o Eugênio Colonnese, entre outras.

- na Revista 9 - na seção Memória, matéria e imagens de dar água nos olhos com o artista japonês Massao Okinaka, mestre na técnica do sumi-ê. Outra seção da revista que é muito boa é a Step-by-Step, na qual um artista é convidado para mostrar um pouco da sua técnica, dar uma aula rápida sobre algum tema. Na edição 9, a seção ficou a cargo do Hiro.

Nesse último número, edição 12, estrearam as colunas Nacional e Internacional, nas quais são convidados ilustradores para darem opiniões, destacarem ideias e conceitos. Na seção Nacional, o Renato Alarcão apresenta um ótimo texto sobre o Japonismo, a influência da arte japonesa nas artes ocidentais.

Ainda não conhece a revista? Ficou curioso? Então é só dar um pulinho ali no site da Revista Ilustrar!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Poe, Poesia e Origami (O Corvo - The raven)




"Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: 'Nunca mais'."

(O Corvo, Edgar Allan Poe, tradução de Machado de Assis)


Eis um corvo estilizado e simples, em origami, dobrado pensando na leitura de Edgar Allan Poe. A ideia foi lançada pelo Gregorio nos comentários do post sobre os 200 anos de nascimento do escritor e, como gostei bastante da sugestão, saí em busca de um diagrama ou instrução para dobrar a misteriosa ave negra. Escolhi O Corvo para dobrar, porque percebi que, no post anterior, havia comentado apenas os contos de Poe e nada havia falado sobre a poesia.

Para dobrar, usei as instruções que constam em vídeo no site Metacafe, e fiz uma alteração na dobra da cabeça, invertendo o sentido, para criar a sensação de que o corvo está virando o pescoço.

Sobre o famoso poema O Corvo (The Raven), há várias traduções para o português e é muito interessante compará-las para perceber as soluções que cada tradutor encontrou, ora para manter as rimas, ora para manter o suspense do texto. Temos, por exemplo, disponíveis na rede, as traduções de:
- Machado de Assis;
- Fernando Pessoa; e
- Milton Amado.

Outra forma de entrar em contato com o poema é através das várias declamações do texto em inglês. Vale ouvir:
- a memorável interpretação na voz de Vicent Price;
- e também na de Christopher Walken. Em vídeo postado no Youtube, que pode ser visto abaixo, ouve-se Walken e veem-se ilustrações de Gustave Doré.





Aliás, não se pode deixar de conferir a arte de Gustave Doré para The raven que está disponível na rede, no site do Projeto Gutenberg.


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Edgar Allan Poe - 200 anos


Aquarela sobre papel fabriano grana grossa



Edgar Allan Poe nasceu no dia 19 de janeiro de 1809. Duzentos anos se passaram e a vivacidade de seus escritos se mantém. Estou relendo os contos desse autor e sempre fico impressionada com a capacidade de prender nossa atenção e com a maneira como ele conseguia desenvolver as tramas, ao mesmo tempo em que criava narradores tão profundos e inquietantes como o inconstante homem que conta sua estória em O gato preto.

Nesse conto, narrado em primeira pessoa, acompanhamos o desenrolar de fatos que, segundo aquele que conta, o transformaram, afinal nem sempre fora ele um homem desequilibrado, capaz de ações indizíveis... Apesar de negar, a princípio, que queira justificar seus atos ou que alguém o venha a compreender, narra entremeando pensamentos que tentam levar a isso, minimizar os atos cruéis que praticou. É o típico narrador que não permite identificação com o leitor, que nos incomoda, algo como o Raskólnikov de Dostoiévski ou o Brás Cubas do Machado de Assis, guardadas, claro, as devidas diferenças.

"Para a muito estranha embora muito familiar narrativa que estou a escrever, não espero nem solicito crédito. Louco, em verdade, seria eu para esperá-lo, num caso em que meus próprios sentidos rejeitam seu próprio testemunho. Contudo, louco não sou e com toda a certeza não estou sonhando. Mas amanhã morrerei e hoje quero aliviar minha alma. Meu imediato propósito é apresentar ao mundo, plena e sucintamente e sem comentário, uma série de simples acontecimentos domésticos. Pelas suas conseqüências, estes acontecimentos me aterrorizaram, me torturaram e me aniquilaram. [...]" (O Gato Preto, in: Allan Poe - poesia e prosa. Rio de Janeiro: Ediouro, [19??]. p. 245)
Também foi Poe quem inspirou muitos autores de romances policiais. É considerado o criador dos primeiros contos cujas tramas envolvem mistérios que exigem o uso de muito raciocínio e lógica para serem resolvidos e nos quais aparece um minucioso e perspicaz detetive - Auguste Dupin. O personagem aparece em: Os crimes da rua Morgue , O mistério de Marie Rogêt e A carta roubada.

Vários contos de Poe podem ser encontrados na web. Em português, outros contos também igualmente interessantes:
Em inglês, podem ser encontrados no site da Edgar Allan Poe Society.

Um dos meus favoritos, além de O gato preto, é o conto A máscara da morte rubra. Um texto conciso e denso. Poe capricha na descrição para nos situar na abadia fortificada onde o Príncipe Próspero procura escapar da peste. A imagem que nos vem à mente é plasticamente intrigante - cores diferentes dominam cada salão (azul, púrpura, verde, laranja, branco, roxo e o assustador negro); música, agitação e constrangedores silêncios marcam aqueles que se retiraram com o príncipe, quase certos de que ali estariam seguros. A cada vez que leio (e já foram muitas) descubro algo novo - certamente é esta uma das características que faz Poe estar tão vivo hoje quanto há duzentos anos.

O bicentenário de Poe está sendo comemorado pelo mundo e há alguns endereços que vale a pena visitar (além de seu conteúdo, têm uma série de referências para outras fontes sobre o autor):
E também:
No Pós-estranho, um texto muito bom sobre os contos de raciocínio de Poe, dentre outros sobre o escritor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Coelho (Rabbit / Lapin - Origami)


Estes simpáticos coelhinhos foram dobrados a partir do modelo idealizado pelo Yann (da região da Borgonha na França) e que tem um blog especialmente destinado para sua criação - o La cabanne à lapins (A cabana dos coelhos).

Esse blog tem uma proposta bastante interessante - nele, o autor disponibilizou o diagrama do modelo (ver aqui) e apresenta os vários lugares por onde passa e dobra o seu coelho.

Como todo bom modelo, este também permite variações. Além disso, o Yann criou uma seção de visitantes da Cabana (quem dobra envia uma foto para ele). Mandei a de dois coelhinhos e espero que ele goste (ver abaixo).

Como gostei muito da ideia e de dobrar os bichinhos, vou aproveitar para agradecer mais uma vez:

Merci, Yann!!



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fábulas - Liev Tolstói


Esta edição das Fábulas contadas por Tolstói é uma excelente adaptação para o público infanto-juvenil e, como tudo que é feito com cuidado, encanta a todos.

Além de o texto, traduzido diretamente do russo, ser claro, simples e gostoso de ler, as maravilhosas aquarelas do Cárcamo tornam esse pequeno volume indispensável.

Mais uma vez fiz a experiência de ler o livro com uma criança ao meu lado. Minha sobrinha (leitora mirim de 8 anos) e eu brincamos de ler em voz alta, alternando o narrador e os diálogos, comentando sempre as imagens.

O interessante é que ela já tinha lido, na escola, algumas adaptações de fábulas de La Fontaine e conseguiu identificar o gênero e também alguns pontos de contato entre as histórias. As favoritas dela foram O leão e o rato; A cadela e o reflexo (adoramos a cena da água); e O mosquito e o leão.

A minha favorita foi A oliveira e o capim, por tratar singelamente da importância da flexibilidade em nossas vidas; do valor de saber, quando necessário, calar e aguardar. O mais bonito ainda, nessa fábula, é ser contada em apenas duas páginas, belas aquarelas, manchas que a gente olha e olha, flexíveis como a fábula.

Um livro que a gente nunca se cansa de ler e apreciar.


Mais informações sobre a obra:

Autor: Liev Tolstói (1828-1910)
Seleção, adaptação e tradução do russo: Tatiana e Ana Sofia Mariz

Ilustrações: Cárcamo (Se você ainda não o conhece, não deixe de visitar o site e o blog desse excepcional mestre das aquarelas).

Edição: Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2009, 45p.

sábado, 25 de julho de 2009

Carrossel (Carousel - Origami)



A confecção das peças para montar este origami é bastante simples e pode ser vista aqui.

Contudo, o modelo é um pouco trabalhoso, pois, para fazer o carrossel, precisamos dobrar 12 peças para a cúpula e mais 12 para a base. Usei papel para scrapbooking (fino) cortado em tamanho de 10cm X 10cm. O carrossel ficou com 15 cm de altura por 8,5 cm de largura.

as peças da base (atrás) e da cúpula (à frente)

Para enfeitar, coloquei um detalhe em cada peça da cúpula, usando "bailarinas" (ou "pernas de moça") vermelhas e brancas.


Depois é preciso colar todas as peças com cuidado, para que fiquem bem encaixadas. Como mexer com cola não é das coisas que eu mais aprecio, esta espécie de pinça, chamada tweezer (da My Memories, encontrada em uma loja de scrapbooking), tem se mostrado maravilhosa, pois impede que fiquemos com cola nos dedos e acabemos manchando a peça.

Quando a pressionamos no meio, ela abre e, quando soltamos, prende bem firme o papel.


a pinça tweezer


Depois de montada a base e a cúpula, fiz um tubo de papel que serviu como mastro central para prender as duas peças. Depois usei linha e miçangas para pendurar os cavalinhos saltadores (ver a montagem dos cavalos no post abaixo). Para eles, usei papel de 5 cm X 5 cm.

O primeiro modelo que fiz (mas que não ficou muito bem acabado) ficou menorzinho e mais colorido. Neste não usei linha, mas tubinhos de papel para fazer os mastros que prenderam os cavalinhos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Cavalo Saltador (Somersaulting horse - Origami)




Estava procurando um modelo de cavalo que fosse simples e gracioso para montar um carrossel de origami, e acabei encontrando, no site Fold-a-long, esse simpático cavalinho que dá cambalhotas.

O Richard Saunders (do Fold-a-long) ensina a dobrar e faz parecer facinho fazer o cavalinho pular, né? Mas olha... não achei tão fácil assim, não (rs) - nem sempre o meu cavalo cai em pé! Isso dá uma boa brincadeira com a criançada!