terça-feira, 23 de março de 2010
Das preciosidades da grande rede (4) - Instituto Moreira Salles
Alegrias de terça-feira para amantes de literatura:
Achar poemas de Fernando Pessoa, Drummond, Vinícius de Moraes, lidos por Paulo Autran, em registros fonográficos de 1965 - 1966, disponíveis no site do excelente Instituto Moreira Salles - na área reservada para Literatura e Teatro.
Em especial, encantou-me a leitura de Cruz na porta da tabacaria do heterônimo Álvaro de Campos. Bonito, bonito...
Para acessar, no site do Instituto, na página do Paulo Autran, clicar no link Leituras e, lá, os textos de ouvir.
Ainda na área de Literatura e Teatro, mais alegrias: pode-se consultar dados de outros autores em páginas caprichadas contendo vida e obra do autor, fotos, leitura de trechos, entre outros. Destaques para as páginas da Lígia Fagundes Telles e da Clarice Lispector.
Vale muito também navegar pelas outras áreas do site do Instituto Moreira Salles - as sessões de fotografia, música, artes visuais são imperdíveis.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Aquarela (Estudos - 7)

Mais um exercício de aquarela com paisagens. Este foi feito seguindo orientações do livro do Carl Purcell - Painting with your artist's brain (capa abaixo). Faz parte do primeiro capítulo que se chama Desenvolvendo uma boa técnica (Developing a good technique). Nele, o autor dá dicas de como conseguir determinados efeitos com as manchas e usando pincéis chatos e redondos.
A pintura acima foi feita com base no exercício que consta das páginas 26 a 29, baseado em uma foto de referência que o autor tirou no Zion Canyon que fica em Utah - EUA.
Resolvi privilegiar mais as manchas e, por isso, não acrescentei muitos detalhes nas árvores e nas folhagens. Para as montanhas foi muito interessante usar os pincéis chatos, como recomendado pelo autor.

segunda-feira, 1 de março de 2010
O Silêncio da Chuva - Luiz Alfredo Garcia-Roza

Na melhor linha dos romances policiais, o Silêncio da Chuva traz a primeira aventura publicada do investigador carioca Espinosa.
Personagem tão cativante quanto outros detetives famosos da literatura de que gosto muito, como o Dupin de Poe e o Holmes de Conan Coyle, tem suas peculiaridades. Com relação aos dois citados, por exemplo, enquanto estes resolvem seus casos independentemente de vínculo com as instituições policiais, satirizando-as muitas vezes, Espinosa está dentro da polícia, dela faz parte, embora dela duvide muito.
Neste primeiro romance, Espinosa se vê às voltas com o seguinte caso: um homem é encontrado morto em seu carro num edifício-garagem no Rio e tudo indica, para a polícia, que houve homicídio – nenhuma arma é encontrada. Entretanto, para nós, leitores, o primeiro capítulo já havia apresentado o que ocorrera, tudo bem diferente do que a polícia considera - temos informações que o personagem principal não tem. Mas será que temos todas?
Podemos achar que o livro vai girar apenas sobre como o investigador desvendará o caso que nós, leitores, já acreditamos saber do que se trata. Mas não é bem assim que o texto se desenvolve. Voltas e reviravoltas, surpresas e, o que mais me interessou, um personagem que se questiona, que erra, tropeça, se surpreende e nos surpreende, que reflete sobre a vida. Não é por acaso que ele tem nome de filósofo.
“Entrou em casa pensando se teria uma história pessoal ou várias e, dependendo da resposta, se ele seria uma ou várias pessoas. Antes de acender a luz do abajur da sala, descartara a pergunta como estúpida, apesar de arrastar até o banheiro um rabo de dúvida. [...]
Enquanto pensava em tudo isso, acendia as luzes do apartamento, sem nenhuma razão aparente além da necessidade de esclarecer a si mesmo. Fez o caminho inverso, apagando cada uma delas, deixando aceso apenas o abajur da sala. Tomou um banho demorado, desembrulhou um sanduíche dito natural, que estava na geladeira, abriu uma cerveja, esticou-se no sofá da sala e começou a pensar na morte, não na idéia abstrata de morte, mas em quanto tempo ainda teria de vida. Isso aos quarenta e dois anos, numa noite de sábado, num apartamento de solteiro em Copacabana. Concluiu que já estava morto. Foi dormir.” (p. 118-119).
Conheci o investigador em uma entrevista do autor Garcia-Roza no programa Espaço Aberto Literatura, por ocasião do lançamento do novo livro com Espinosa – Céu de Origamis (o vídeo da Globo está disponível temporariamente – ver abaixo). Resolvi começar pelo primeiro romance pelo fato de o autor ter comentado, na entrevista, que tem uma preocupação em fazer com que o personagem vá se transformando, que vá envelhecendo a cada livro. Foi uma boa opção – agora vamos aos outros romances!
Mais alguns detalhes da obra:
Autor: Luiz Alfredo Garcia-Roza (RJ, 1936)
Companhia das Letras, São Paulo, 2005, 245p. (Cia. de Bolso)
Publicado originalmente em: 1996
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Aquarela (Estudos - 6)
O estudo abaixo, baseado em textos de literatura infantil, foi bastante especial para mim.



Aquarelas sobre papel fabriano grana fina
Primeiro, porque gosto demais de literatura infanto-juvenil e ilustrações. Depois, porque foi um estudo de ilustração no qual apliquei o que aprendi até agora para criar desenhos e composições de cores com características próprias. Ler um texto, imaginar o desenho, as cores, e passá-las para o papel é uma experiência impressionante e o que venho buscando há algum tempo.
As aulas e a ajuda do Bruno, nosso professor de ilustração lá na Quanta, foram essenciais e, por isso, fica aqui também meu agradecimento especial.
Claro que, para criar os animais das ilustrações, precisei estudar bastante e usar várias referências fotográficas. No caso do passarinho (ainda não ficou tão bom quanto eu gostaria - rs), por exemplo, além das fotos, foi muito útil o livro do Preston Blair chamado Cartoon Animation.
Bom... ainda preciso estudar muito sobre contrastes, luz e sombra, composição, etc. etc., mas já fiquei bastante feliz com esse resultado!
Estudo de pássaros - lápis
Estudos de pássaros - grafite azul e caneta nanquimbaseado no livro Cartoon Animation - Preston Blair
Aquarela (Estudos - 5)

Aquarela sobre papel fabriano grana fina
Como o objetivo era desenvolver uma ilustração a partir do que estava escrito, primeiro fiz uma composição fotográfica baseada em uma ideia que tive e, depois (o mais difícil - rs), trabalhei bastante para tentar traduzir isto em um desenho e então inserir as cores usando a aquarela.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Beija-flor (Ruby-throated humming-bird - Origami )

No modelo original, cuja foto consta do livro e pode ser vista no alto da capa, o autor, baseando-se nos beija-flores da região do Arizona que têm peito vermelho, usou um papel brilhante verde na parte externa e vermelho na parte interna, o que deu um efeito muito bonito.



terça-feira, 5 de janeiro de 2010
A Abadia de Northanger - Jane Austen (Northanger Abbey)

Austen. Sempre fonte de prazer estético e boas descobertas.
Quando comprei a Abadia de Northanger, em inglês, não havia conseguido, na época, nenhuma edição traduzida para o português. O livrinho ficou na estante por algum tempo, mas no último dezembro, resolveu se rebelar e dar uma piscadinha marota, lá do meio dos outros.
Pensei... por que não? E, pronto, lá estava eu, avidamente engolindo suas letras. Depois tentei lembrar porque demorei tanto, porque o livro ficou esquecido entre os outros... Como este não era muito comentado, acabei privilegiando a leitura dos mais famosos, como os excelentes Orgulho e Preconceito e Mansfield Park.
Então, a surpresa e a alegria foram grandes quando cheguei ao final da leitura. Pesquisas e mais pesquisas para saber mais sobre ele: primeiro livro escrito por Austen, só foi publicado postumamente em 1818. Apesar de seu direito de publicação ter sido vendido pela autora em 1803, como não havia sido publicado até 1816, ela readquiriu seu manuscrito. Contudo, a obra acabou vindo a público apenas após seu falecimento em 1817.
Para mim esta é, levando em conta que as ironias e comentários se transformaram mais facilmente em riso, a mais bem humorada estória de todas as que li da autora até agora (Orgulho e Preconceito, Mansfield Park e Emma). Por ser o primeiro escrito por Jane, me surpreendeu muito pela visão que ela já tinha das pessoas, de suas relações, de como se movem no meio social.
Desde o começo acompanhamos com interesse Catherine Morland, denominada por Austen, várias vezes, como a heroína de sua estória. Com isso, a autora permitiu-se fazer contrapontos por vezes irônicos, por vezes bastante divertidos, com as personagens de romances góticos, como a de Os mistérios de Udolpho (The mysteries of Udolpho) de Ann Radcliffe (citado na Abadia).
Se tomarmos o início de Os mistérios de Udolpho, por exemplo (do qual li as primeiras 55 páginas), as características da personagem principal, Emily, são, mais ou menos, as seguintes: é filha única de uma família de posses, é bonita e bastante prendada: desenha, pinta, toca e canta maravilhosamente, enquanto Catherine é filha entre muitos irmãos (como a própria Jane Austen foi, inclusive), mora num local retirado, sua família tem posses modestas e foi criada como uma garota comum, sem grandes brilhantismos - características bem mais realistas e que, sem dúvida, nos cativam muito como leitores.
A "aventura" de Catherine começa quando, com 17 anos, ainda muito inexperiente, é convidada pelos Allen, amigos da família, para passar algum tempo com eles em Bath (local que a própria autora visitava em sua época). Lá se verá às voltas com bailes, locais diferentes e com pessoas dos mais diversos tipos que por ali circulam. Fiquei tão envolvida pela leitura, que torcia para que a doce e sonhadora Catherine conseguisse perceber e aprender a lidar com a malícia da realidade à sua volta.
Sorriso e riso tiveram de se manifestar, durante a leitura, em algumas dessas situações. Um exemplo? Quando Catherine, cheia de imaginações sobre a Abadia, lá chega e, em seu quarto, encontra, por ali, uma caixa grande e pesada, um tipo de baú talvez (chest em inglês), misterioso e também quando resolve reparar em uma escrivaninha colocada a um canto. O que aqueles objetos antigos poderiam estar escondendo? Pergaminhos, documentos ocultos, algum segredo, já que a Abadia era bastante antiga?
É lá, como convidada dos Tilney, que ela vai acabar percebendo o quanto imaginação e realidade são diversas. Busca encontrar fatos semelhantes aos que lia em seus romances góticos, seus romances de terror, mas que, na realidade, se apresentam bastante diferentes. Austen acaba satirizando, assim, também os leitores de romances de sua época que acabavam acreditando na ficção como se fosse realidade. Sobre isso, vale ouvir o debate registrado no site da Penguin Books na área denominada Austen-Mania, no espaço reservado para discussões sobre sua obra.
É gostoso acompanhar a mudança dos pensamentos da personagem, seu modo de ver o mundo, até o final da estória, ver como se desenrolarão as suas "aventuras".
Outra grande alegria desta leitura foi, nas pesquisas sobre a obra na web, descobrir vários blogs e sites que tratavam do assunto, mas, principalmente, acabar encontrando a Jasbra (Jane Austen Sociedade do Brasil). O grupo estava, justamente quando cheguei ao final da minha leitura, organizando e realizando discussões sobre a Abadia. Os debates por lá são ótimos e as pessoas são muito, muito especiais. Se você é fã de Jane Austen, como eu, vale conhecer.
Mais alguns dados da obra:
Autora: Jane Austen (1775-1817)
Título original: Northanger Abbey
Editora: Penguin Books - Coleção Penguin Popular Classics
Inglaterra, 1994, 236p.
Obra publicada originalmente em 1818.
Blogs e sites para consulta:
- Jane Austen Sociedade do Brasil - Jasbra
- Jane Austen Portugal
- Austen-mania (Penguin Books)
- Jane Austen (em inglês)
- The Jane Austen Centre (em inglês)
- Livros em inglês disponíveis no Girlebooks