quarta-feira, 9 de maio de 2012

Aquarela (Estudos - 31) - Paisagens



aquarela sobre papel fabriano torchon, grana grossa


No estudo acima, baseado na obra "Berck, Low Tide" de Eugène Boudin, o objetivo era traduzir uma pintura à óleo para a aquarela. Usando o papel Fabriano torchon, o intuito era pensar em camadas que iriam se sobrepondo até chegar ao resultado final. Primeiro, aproveitando a textura granulada do papel, fazer a base com as cores claras e depois ir sobrepondo os tons mais escuros.


aquarela sobre papel fabriano torchon, grana grossa

Em seguida a proposta foi tentar trazer o conhecimento adquirido no estudo anterior para outra aquarela, agora usando uma referência fotográfica - pintura cima. Uma grande e prazerosa descoberta foi perceber os resultados gerados pela ação da água na granulação do papel - ora usando menos água, com o pincel quase seco, ora usando muita água.

O estudo abaixo, foi baseado em uma foto que fiz da Estação de Trem de Antonina - Paraná em 2008. Seguiu a mesma proposta, mas então decidi experimentar o papel Arches. Para todos esses estudos, os papéis usados foram os de 100% algodão, com 300 g/m2. São excelentes papéis que suportam bem boas quantidades de água.

Um outro detalhe: para todos, fiz primeiro o desenho a lápis, mergulhei o papel em uma bacia com água e deixei por algum tempo. Depois, o papel foi apoiado na prancheta, retirado o excesso de água com um pano macio (que não solte fiapos) e depois bem afixado. A partir daí a brincadeira com as cores e os pincéis pôde começar.

aquarela sobre papel arches grana grossa


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Aquarela (Estudos - 30)



 Aquarela sobre papel fabriano grana fina


Mais alguns estudos em aquarela, agora tendo como base a obra "A Tramp" do John Singer Sargent.

A proposta era fazer um estudo de uma parte pequena do quadro e depois a imagem toda. O desafio agora é tentar trazer o conhecimento que adquirimos quando fazemos essas releituras para os nossos próprios trabalhos.

Aquarela sobre papel fabriano grana fina


Este outro abaixo é um estudo de detalhe da obra "The garden wall" também do mestre Sargent.


Aquarela sobre papel fabriano grana fina

terça-feira, 3 de abril de 2012

Diário da Guerra do Porco - Adolfo Bioy Casares



Incômodo foi o sentimento que surgiu nos primeiros capítulos do livro de Casares. E não foi uma sensação que passou depois. No desenrolar da trama, acabamos percebendo que o livro parece ter sido estruturado de maneira a criar esta sensação, entre tantas outras. Fazer pensar na passagem do tempo, no envelhecimento.

Acompanhamos a narrativa das vivências e pensamentos de Isidro Vidal, um senhor de quase 60 anos, que vive com o filho.  Os idosos do lugar estão passando por dificuldades devido a um movimento que acontece de forma estranha. É a Guerra do Porco. Os jovens estão se rebelando contra os velhos, por motivos difusos que, por vezes, acabam dividindo os próprios jovens.

As dúvidas e medos que rondam Dom Isidro e seus amigos, que têm de passar por situações tantas vezes vexatórias, também nos afligem. Há idosos desaparecidos, mortos, feridos... e muitos tentando viver em meio a um  medo generalizado...
"(...) Dessas lembranças Vidal passou a outras, dos últimos dias de seu pai. Lembrava-se dele, tão próximo e já tão fora do alcance, no medo e na dor da morte. Cada qual está em si mesmo e nada pode fazer pelo próximo. Vidal sentiu uma desolada certeza sobre a inutilidade de tudo. O que foi aquele afã de falar - pura vaidade - que lhes havia dado naquela noite? Entre eles, sabiam de antemão o que um e outro iam dizer. Pensou que falar assim no velório de um amigo era uma ofensa repugnante e que agora ele continuava falando. Parecia que tinha sido ontem que levavam uma existência despreocupada; de repente, a própria condição da vida tinha se tornado intolerável. Deu vontade de fugir. (...)" (p. 107)
Em formato de "diário", há algumas marcas temporais que indicam que a trama se passa em pouco mais de uma semana: de 23 de junho aos primeiros dias de julho. Contudo a sensação da leitura, tão intensa, é a de que o tempo é outro, mais longo, tempo trazido das lembranças, do passado e das vivências daquele momento.
Esse ponto me intrigou tanto que despertou o interesse de fazer uma segunda leitura (quem sabe uma terceira também?) somente para atentar para essa questão do tempo...

A narrativa é impecável. Casares, esse mestre argentino da escrita, nos atinge com aquela força típica das  grandes obras literárias. Suas palavras ficam ecoando na mente muito e muito tempo depois de fecharmos o livro.

Para saber um pouco mais sobre Bioy e sua obra, não deixe de assistir a entrevista de 1998 (em espanhol), disponível no youtube, clicando aqui.

Mais alguns dados da obra:

Autor: Adolfo Bioy Casares (1914-1999 - Buenos Aires, Argentina)
Título original: Diario de la guerra del cerdo
Tradução: José Geraldo Couto
Edição: São Paulo, Cosac Naify, 2010, 208 p., 4 ils.


domingo, 18 de março de 2012

19 de março - É Dia do Artesão



Aquarela sobre papel fabriano artístico grana fina


Recebi mais uma encomenda do Mania de Artesanato, blog cheio de objetos lindos que a Raquel Carvalho cria.

A ideia desta vez era homenagear todos aqueles que gostam de mexer com tintas, tecidos, linhas, agulhas, papel, tesoura, cola, pincéis, e muito mais, para deixar a criatividade fluir.
Saiu então mais uma aquarelinha... não ficou tão delicada quanto planejei. Descobri que preciso aprender a trabalhar melhor com prazos curtos!

Para este desenho, tive que estudar um pouco sobre panejamento. E foi pouco mesmo rs. Ainda estou com muitas, muitas dúvidas, ou seja, vamos incrementar os estudos.


E...
Para todos aqueles que, 
como nós, 
gostam dessa vida artística - 
parabéns pelo Dia do Artesão!


domingo, 11 de março de 2012

Águas (Estudos - 29)



Aquarela sobre papel fabriano artístico grana fina



Aquarela sobre papel fabriano uno grana fina


Mais alguns estudos em aquarela. E aqui percebi alguns detalhes sobre os papéis...
Enquanto o fabriano artístico (1a. imagem) responde bem às manchas e a algumas sobreposições e fusões, o papel fabriano uno (2a. imagem) "agarra" um pouco mais a tinta no papel quando vai secando, marcando mais as pinceladas, tornando as fusões mais difíceis.

Contudo, é uma questão de adaptação e aprender a explorar as qualidades de cada um. Por enquanto, o Fabriano ainda é o meu papel preferido para as aquarelas.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012