segunda-feira, 22 de junho de 2009

Das preciosidades da grande rede (2) - Brasiliana USP


Mais uma raridade disponível na grande rede mundial. Trata-se da Brasiliana USP.

Um projeto muito bonito, fruto da parceria de José Mindlin e sua esposa Guita com a Universidade de São Paulo, que está tornando possível o acesso a livros raríssimos. Mindlin e Guita doaram para a USP a biblioteca brasiliana que construíram ao longo da vida.



Para quem ainda não conhecia esse ilustre bibliófilo, ele tem um livro muito, muito interessante publicado pela Companhia das Letras, que já li há algum tempo e que se chama Uma vida entre livros. Nele, Mindlin conta como conseguiu vários de seus livros, fala de sua paixão de leitor e de colecionador. Essa edição conta, ainda, com belas ilustrações.

Saber que há uma equipe empenhada em oferecer uma material de qualidade aos internautas, também nos deixa bastante satisfeitos - um pouco pode ser visto em vídeo da Brasiliana Digital:



Os trabalhos ainda estão no começo, mas fiquei muito feliz ao poder ver as páginas da edição do livro de Hans Staden de 1557, principalmente para conhecer as ilustrações da época. Para quem é ou foi estudante de Letras, para quem é apaixonado por livros, para quem ama a leitura, saber que teremos acesso às raridades pela internet e também poder, quem sabe, ver os originais no prédio que está sendo construído no campus da Cidade Universitária em São Paulo é fascinante.

E alegria maior: saber que muita coisa boa mais ainda está por vir!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mutts - os vira-latas - Patrick McDonnell



Ler Mutts é uma delícia. As tirinhas dessa edição da Devir trazem os carismáticos bichinhos criados por Patrick McDonnell que receberam, em português, os simpáticos nomes de Duque, o cão (Earl no original), e Chuchu, o gato (Mooch). Uma amizade bastante curiosa.

Os desenhos são simples e graciosos, as estórias inocentes, singelas e divertidas. É o tipo do álbum que você pega, vai lendo e sorrindo; lendo e rindo; lendo, observando os desenhos, e pensando... pensando bastante na nossa relação com os outros seres que também habitam esse nosso planeta.

Como de costume, sempre acho difícil descrever apenas com palavras o que precisa ser visto no conjunto imagem + texto. De qualquer forma, vamos à tentativa em uma das tiras de que mais gostei - uma daquelas que mostram o ponto de vista dos bichanos, como eles veem os homens:
- na página 13, Chuchu está na casa de Duque e ambos olham para Ozzie (o homem com quem o cãozinho mora, seu melhor amigo) e que está lendo o jornal, sentado em um sofá. O gatinho pergunta: "- Quem é esse aí?" A resposta do cão: "- Esse é o meu Ozzie." / "- O que é um Ozzie?" interroga o bichano; "- Ele é o cara que me alimenta, me dá petiscos, coça a minha barriga, me leva para passear... É o meu Ozzie." / E a tirada final do gatinho: "- Onde é que eu arranjo um?"

Me diverti bastante com as aventuras dos dois no açougue, onde costumam ir para ficar namorando as vitrines; e com suas indagações tentando entender os outros seres que estão ali pela casa ou pelos quintais: o peixinho no aquário, aves, outros cães.

Cenas de carinho e cuidado entre homens e animais também marcam as estorinhas e são muito bonitas e cheias de ternura. Encantamento gostoso, um bom tempo de leitura!

Para conhecer a carinha desses personagens, saber um pouco mais sobre eles e experimentar algumas tiras, o Mutts tem um site oficial (em inglês), é só clicar aqui.

Mais alguns dados da obra:

Título original: Mutts
Autor: Patrick McDonnell
Tradução e revisão: Marquito Maia
Edição: Devir Livraria, São Paulo, 127p.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Aquarela (Estudos - 3)

Aquarela sobre papel Fabriano grana grossa


Mais um estudo com retratos em aquarela.
A ideia é continuar tentando entender os volumes, conseguir conservar o branco do papel como área de luz e perder o medo de usar cores mais fortes. O caminho está só no começo... mas - vamos lá - pintando e curtindo sempre!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A princesinha medrosa - Odilon Moraes


O que nos faz ter medo? Que medos levam a outros a ponto de nos bloquear? E como superar isso?

Esse singelo livro de Odilon Moraes, com lindas aquarelas em uma bem cuidada edição da CosacNaif, trata desse tema. A estória começa com "Era uma vez uma princesinha que tinha medo do escuro." Mas é uma princesinha que resolve tomar algumas providências quanto a isso - só que um medo vai levando a outro, e mais outro, e onde tudo isso vai dar?

Já li o livrinho umas zil vezes e a cada momento descubro algo novo, principalmente nas ilustrações. Quanta coisa bonita, quanto detalhe delicado, desde a princesinha temerosa da capa até o cenário enluarado do final do livro... Vale prestar bastante atenção em todos os detalhes.
Tudo se encaixa, deleite para os olhos, deleite para a mente.

Gostoso também é ouvir o próprio autor falando de sua obra, nessa entrevista que está no site Letras e Leituras.

É possível ver algumas páginas da Princesinha no comecinho do vídeo em que o autor trata sobre a feitura de um livro infantil. Este vídeo é bastante interessante, porque mostra um pouco dos caminhos para construir o livro, desde a ideia e da concepção do projeto gráfico da obra. Mostra também outros títulos desse simpático autor:



Mais dados da obra:
Autor e ilustrador: Odilon Moraes
Publicação original em: 2002
Editora: CosacNaif
48p., 37 ilustrações, São Paulo, 2008

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Aquarela (Estudos - 2)



Aquarela sobre papel Fabriano grana grossa

Este retrato fiz hoje - primeira tentativa solo. Ainda há vários defeitos, mas estou gostando muito de fazer essas pinturas. Cada tentativa, muitos aprenderes, muitas sensações novas nascendo...


Retratos em aquarela - como é intrigante e instigante tentar dar volume às figuras, encontrar os contrastes, escolher as cores... A aquarela abaixo, feita antes da pintada hoje, levou algumas horinbas para ficar pronta e contou com a inestimável ajuda e as dicas sempre bem-vindas do K.Lil, nosso professor de pintura e ilustração lá na Quanta.


Aquarela sobre papel Fabriano grana grossa

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cravo (Carnation - Origami Flower)


Há muito tempo, um colega de trabalho me ensinou a fazer cravos utilizando guardanapos de papel de lanchonete (daqueles que ficam em um porta-papel e a gente vai puxando). Não consegui descobrir quem é o criador deste modelo.

Fiquei pensando se não é um daqueles modelos que vão passando de pessoa para pessoa e cujo criador já não pode ser mais identificado, como os barquinhos de papel, os balõezinhos, os chapéus de marcha-soldado... Contudo, se alguém souber o nome do criador, me avise, ok?
O intuito deste blog é sempre dar os devidos créditos a esses origamistas geniais que criam modelos.

De qualquer forma, o resultado final fica tão interessante que resolvi montar um passo a passo para quem quiser se aventurar na brincadeira. Segue abaixo (qualquer dúvida, é só deixar a pergunta nos comentários):

Primeira parte: base da flor e suas pétalas

Obs.: o papel utilizado se chama "guardanapo tipo TV" que, em um dos lados, tem a textura do papel de seda.

Segunda parte: o cabo

Terceira parte: a montagem

Quarta parte: detalhes finais


O modelo também pode ser feito com papel de seda, cortado nas dimensões indicadas no passo 2 (veja foto abaixo). Com isso, podemos variar as cores da flor.

Espero que vocês se divirtam bastante com essa dobra!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Era uma vez... arte conta histórias do mundo (Exposição)



Uma exposição que está em cartaz em São Paulo e vale a pena visitar é "Era uma vez... arte conta histórias do mundo" com curadoria de Katia Canton e que relaciona a literatura de contos de fadas de várias partes do mundo com a arte.

É uma mostra de muito bom gosto em um espaço muito agradável - o Centro Cultural Banco do Brasil, um belo prédio antigo no coração da cidade.

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
uma vista do saguão

Como a mostra está distribuída nos vários andares do prédio, resolvi começar a visita pelo subsolo e foi uma das partes de que mais gostei. Lá as obras de arte foram organizadas de acordo com os países a que se referem as histórias de fadas ou contos populares. O gostoso foi poder ouvir narrações nos fones de ouvido, escutar as estórias, e então olhar, observar de pertinho as imagens (em várias técnicas - aquarelas, colagens, esculturas etc.), buscar a relação da história ouvida com a imagem...

Foi fascinante também descobrir como os contos de fadas têm ligação entre si e, dependendo do país, da época, são contados com variações, como acontece com a Cinderela (como geralmente conhecemos), que tem, entre outras, uma versão russa chamada O sapato de ouro.

No segundo e terceiro andares, a mostra destaca os contos do francês Perrault, dos irmãos Grimm (alemães) e do dinamarquês Andersen. As salas onde estão as obras têm decoração ligada a algum fato ligado à época/país de cada autor e nelas também ouvimos um pouco sobre os contos em som ambiente. Interessante perceber como a época, o local, as condições socioculturais influenciam na forma como as histórias são contadas. Gostoso também observar como os artistas elaboram suas obras tendo os contos como inspiração.

Uma mostra para curtir, ver com calma, ouvir sem pressa, apreciar cada sensação, cada lembrança dos contos de fadas, além de aprender, ficar sabendo de outros contos e pronto! ter a curiosidade aguçada para conhecer mais (foi o que aconteceu comigo com o conto Pele de Asno, do Andersen). Ir com crianças deve ser uma delícia também - em alguns dias há atividade de contação de histórias (ver programação no site do Centro Cultural Banco do Brasil).

Para saber um pouco mais sobre a mostra, há um vídeo no site da Folha, e mais informações no site do Centro Cultural.

A exposição fica em cartaz até o dia 21 de junho de 2009.

Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo
um olhar para cima